Saí de uma Conferência de Cultura pensativa. Geralmente as pessoas acham cultura algo supérfluo que não impacta a vida de ninguém. Para mim que trabalho há 10 anos atuando fortemente na extensão universitária é algo vital para fomentar o desenvolvimento regional. Sou daquelas pessoas que acredita que todos os passos devem ser pensados estrategicamente de modo que um setor atinja os demais ao desenvolver-se.

Infelizmente percebo em minha região uma divisão de interesses gigantescos entre os setores. As pessoas não pensam em alimentar a galinha dos ovos de ouro, mas em matá-la e acabar de vez com as possibilidades a longo prazo. Assim não tem como desenvolver a região como um todo. Não existe verba para contentar gregos e troianos. É preciso definir como realizar a captação de recursos para algo que gere mais dinheiro para os demais.

Ando muito pensativa sobre o comportamento das pessoas que ando convivendo ultimamente. Confesso que fiquei entristecida por fazer parte de um Conselho Regional de Desenvolvimento que não enxerga o turismo como algo a ser considerado numa região belíssima, repleta de atrativos naturais e que poderia gerar emprego e renda para centenas de pessoas, bem como atrair visitantes de fora para fazer a economia girar. Turismo, Cultura, Educação e Empreendedorismo. Vou morrer defendendo esses eixos por ter a absoluta certeza de que desenvolvendo esses setores, conseguiremos respingar nos demais.

É preciso pessoas para comprar a carne, é preciso pessoas para adquirir produtos da agricultura familiar, é preciso pessoas para aquecer o mercado imobiliário e fazer a economia girar e somente através de um número considerável de pessoas é que conseguiremos barganhar por mais segurança local. Cidade que não aparece direito no mapa, não faz diferença na hora de tentar gritar mais alto. Mas infelizmente, jamais conseguiremos  destaque se continuarmos agindo separadamente com cada setor olhando para o seu umbigo.

Saí de uma conferência de cultura com vontade de gritar para o mundo, que devemos nos mobilizar para promover nossa região atraindo visitantes com manifestações culturais e desenvolver o turismo levando muito à sério o que parece ser um hobby. Muito dinheiro gira em torno de eventos, muitos prestadores de serviços podem crescer, muitas pessoas irão consumir os mais diferentes tipos de produtos e serviços na cidade e região. Enfim… Sem Cultura não há movimento. A cidade fica estagnada. Fedendo a naftalina.

Termino esse texto com uma foto de um momento muito especial em minha vida, cuja simplicidade o tornou ainda mais especial. Vivenciar o pôr-do-sol ao som do poema de Carlos Vilaró em Punta del Este, no Uruguai. Todas as pessoas que passam por ali tem a oportunidade de agradecer ao sol pelo dia que passou, sobre o mar de Punta Ballena. O final do poema se dá exatamente no momento em que o sol desaparece na água. Lembro-me de ficar totalmente arrepiada e encher os olhos d´água. Senti uma forte emoção que me faz lembrar até hoje com muito carinho daquele entardecer. Sempre que posso volto à Casa Pueblo para reviver momentos como aquele. Gasto gasolina, fico em hotel, experimento os mais diversos restaurantes no caminho. Pago a entrada, enfrento fila, consumo produtos e não me importo se está custando caro ou não. São experiências únicas que dão sentido à vida. E ao contar para vocês, despertarei o desejo em alguns que um dia viverão tal experiência.  Isso é cultura. Isso é saber fazer turismo. Não precisa de muito. Apenas de pessoas que realmente tenham conhecimento do tamanho da importância de se captar pessoas. Sem elas, não existe desenvolvimento.

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Meus trechos prediletos do poema Ceremonia del Sol de Carlos Páez Vilaró:

Hola Sol …! Otra vez sin anunciarte llegas a visitarnos. Otra vez en tu larga caminata desde el comienzo de la vida.

Hola Sol…! Cómo me gustaría haber compartido tu largo trayecto regalando luz, porque a tu paso acariciaste la vida de mil pueblos, compartiste sus alegrías y tristezas, conociste la guerra y la paz, impulsaste la oración y el trabajo, acompañaste la libertad e hiciste menos dura la oscuridad de los presidios.

Hola Sol…! Gracias por volver a animar mi vida de artista. Porque hiciste menos sola mi soledad. Es que me he acostumbrado a tu compañía y si no te tengo, te busco por donde quiera que estés.

Gracias Sol…! Por regalarnos esta ceremonia amarilla. Gracias por dejar mis paredes blancas impregnadas de tu fosforescencia.

Adiós Sol…! Mañana te espero otra vez.

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